4 de outubro de 2010

O quanto progredimos.



"Forjai espadas das vossas enxadas, e lanças das vossas foices; diga o fraco: Eu sou forte". Jl 3:10

Por volta de 1946, minha mãe estava casada havia sete anos e era mãe de quatro crianças ativas e barulhentas.
Por algum motivo meu pai decidiu que ela estava “se perdendo”. É um mistério pra mim imaginar como ela podia ter tempo e alguém para encontrar, visto que nós quatro estávamos no meio do caminho. Mas meu pai já decidira e pronto.
Numa manhã, ela saiu para comprar leite para o bebê e quando voltou, meu pai estava na janela do andar de cima com um revólver. Ele disse:
- Mary, se você entrar nesta casa, vou atirar nos seus filhos!

Foi assim que ele lhe disse que estava entrando com um pedido de divórcio. Porém em 1946 as pessoas casadas não se divorciavam...

Em algum momento bem depois, meu pai a procurou, dizendo que aquilo era apenas uma "lição" que ele queria dar à ela. Pediu que voltasse para casa, mas minha mãe não aceitou, pensou que por pior que fosse a situação, era preferível a voltar e deixar que ele nos criasse.
Foi a última vez que minha mãe viu aquela casa. Foi forçada a ir embora apenas com a roupa do corpo, seus quatro filhos, o dinheiro que tinha na bolsa e uma garrafa de leite.
Pra onde ela iria? Resolveu embarcar para Nova York, distante apenas a 320 Km de onde morava.
Minha mãe tinha uma vantagem: era letrada e tinha um diploma de Matemática, da Universidade de Mt Holyoke.
Assim que chegou em NY, localizou uma Associação Cristã de Moços, onde podia ficar por apenas um dólar e meio por noite. Havia uma loja perto onde podia comer sanduíche de salada de ovos e café por um dólar.
Durante vários dias, que se tornaram várias semanas, percorreu várias agencias de emprego e não encontrou nada.
À noite, quando voltava para a Associação, lavava suas roupas de baixo e a blusa. Depois secava com o ferro de passar da Associação.
Imagino como eram terríveis as noites em que passou ali, preocupada em como se sustentar e à nós quatro...
Previsivelmente seu dinheiro minguou, assim como a lista de agencia de empregos.
Finalmente numa quinta feira chegou a vez da última agencia.
A mulher que a atendeu disse que havia uma vaga, mas que ninguém queria por pagar pouco. Minha mãe literalmente arrancou o papel com o endereço de suas mãos e correu o mais que pode até o lugar indicado.
Lá conseguiu o emprego e recebeu no mesmo dia o suficiente para mais uma semana na Associação e assim consecutivamente.
Ela permaneceu na Companhia por 38 anos, subindo para um cargo de importante respeito dentro da firma.
Hoje em dia, em cada duas casas parece ser comandada por uma mãe solteira e é fácil esquecer que já houve um tempo em que esse tipo de vida era impensável. Sinto-me tão humilde ao refletir sobre as realizações da minha mãe, quanto o suficiente para estourar os botões da camisa!
Se cheguei até aqui, meu bem, foi porque fui carregada em grande parte, por esforços de muitas e muitas mulheres antes de mim, com esta admirável mulher, minha mãe, liderando o caminho.
Pat Bonney Shepherd

Uma semana de benção prá vc!!

3 comentários:

MIA disse...

OI QUERIDA...
BRIGADA PELA VISITINHA.
SEU BLOG É ENCANTADOR!
JÁ ESOTU TE SEGUINDO, TE OFEREÇO O MEU AWARD COM MUITO CARINHO.
BJOSSS..
http://www.criandocommia.com.br/

Coisas que me deixam feliz.blogspot.com disse...

Oi Wilma,... nossa fiquei encantada e bastante pensativa ao ler seus posts, adorei... virei sempre aqui,,, obrigada pelos comentários carinhosos em meu blog .. bjs vania

Martina disse...

olá, eu sou a Martina e sou mãe solteira com um menino de 5 anos que só conheceu o pai dele em bébé...
A sua mensagem tocou me mt pois estou passando por algumas dificuldades tal como essa mãe, mas estou consciente que nessa altura era mt mais complicado e impensável uma mãe criar sózinha seus filhos.. mas olhe que mesmo hoje ainda sinto o peso desse preconceito nos olhos das pessoas.
Sinto-me julgada e crucifixada antes mesmo de me conhecerem... mas digo bem alto que que ter este filho foi a melhor senao a mais bonita coisa que me aconteceu até hoje, pois vivo para ele e é ele que dá forças para eu contnuar a lutar... talcomo fez essa mãe...
Um bjnho.